Esta série de pinturas retrata os sobreviventes da inundação de maio de 2024 no Rio Grande do Sul. As obras foram criadas com fragmentos de móveis recolhidos das áreas atingidas e a lama da destruição foi utilizada para construir as imagens. Durante visitas às casas das vítimas, foram feitas fotografias que serviram de base para as obras de arte. Ao transformar o horror em uma reflexão sobre o indivíduo por trás dos números, a arte revela seu poder em tempos de crise.
Apresentando uma narrativa visceral e poética, destaca-se a necessidade de contar as histórias que emergem dos escombros. Cada fragmento carrega a essência de vidas interrompidas: “A quem isso pertenceu? Qual era sua função? Que lar habitava?” A conexão com a obra acontece quando celebramos a força e a esperança que persistem em meio à destruição. Incorporando os destroços nos retratos, o trabalho adquire uma dimensão simbólica, onde as manchas de lama atuam como cicatrizes da tragédia.
Este projeto não é apenas um tributo aos que sofreram, mas um manifesto sobre a condição humana, uma forma de preservar e lembrar histórias que merecem ser contadas.

Feu Cardoso é artista visual do Rio Grande do Sul, com formação técnica em Comunicação Visual e graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Unisinos, trajetória que influencia seu olhar atento à forma, ao espaço e à presença humana. Atua principalmente com pintura de retratos em tela, murais de grandes dimensões — tanto em barro quanto em tinta acrílica — e pinturas ao vivo em eventos institucionais, desenvolvendo uma produção que aproxima arte e público. Sua pesquisa investiga memória, matéria e experiência coletiva, com destaque para a série “Memórias Sedimentadas”, em que utiliza barro e resíduos da enchente para criar obras que transformam vestígios de destruição em narrativa visual e simbólica. Ao longo de sua trajetória, vem realizando trabalhos para instituições como Unisinos, SESC e Sicredi, consolidando uma linguagem que equilibra força material, sensibilidade poética e comunicação acessível.
