SERGIO RODRIGUES

ESQUINA DESENCONTRADA

Como ser e artista sou instigado pela interface meio e ser, portanto, a paisagem é presença constante na produção, em particular o território do pampa gaúcho o qual conheci em inúmeras visitas a Don Pedrito, e a região metropolitana de Porto Alegre onde habito e circulo. A série que segue foi iniciada em 2023 enquanto residia no bairro Floresta, em POA (mas costumo dizer que pode ser qualquer esquina de qualquer cidade). Hoje habito em São Leopoldo.

Esquina Desencontrada surgiu da necessidade de registrar um pouco do que via neste período em POA, somando a isso meus interesses e especulações sobre as constantes mudanças urbanas, espaciais, desde a grande rachadura na esquina sem explicação, o micro clima, aves exóticas que habitam o centro da capital, os silvestres no espaço urbano e, é claro, os personagens urbanos. Tento partir criativamente da minha presença física, e para a produção desta série escutava somente o barulho urbano enquanto desenhava, e como faço as vezes pra me situar, visitei o Google Earth e descobri que o bairro era vizinho de um rio imenso, o Jacuí, que raramente era visto ou acessado pela região, que foi uma das primeiras a serem atingidas em POA pela enchente de 2024. (Em maio de 24 estava habitando São Leopoldo e minha morada não foi atingida pela água.)

A série até então com 7 desenhos produzidos em 2023 ganhou mais três desenhos em 2024, contendo a estética trágica das calçadas depois que a água baixou. No sétimo e último desenho da série, produzido ainda em 2023, há um comércio desativado/em obras e de dentro dele escorre água, não há pessoas, mas uma onça que se refugia ao fundo do comércio. O extremo era apenas inédito aqui, não uma ficção. E a cidade tão imponente, se mostrou tão frágil. 

As vezes recorro aos quadrinhos pra contar histórias, porém Esquina Desencontrada não tem um roteiro, nem mesmo é uma sequência, é uma panorâmica, uma única cena, dividida em 10 partes. Os originais a grafite têm tamanho A3.

GALERIA

SERGIO RODRIGUES

Interessei-me pela produção artística/visual no ensino fundamental, então comecei a absorver as artes visuais, e me atentar para outras artes, o que rapidamente quebrou minhas jovens noções prontas de mundo e fui cativado.  Em 1996 fiz minha primeira mostra individual em Canoas (Cidade natal) que chamei de “Horizontes”. Hoje habito São Leopoldo no Vale do Sinos.

 A produção gráfica/visual sempre esteve relacionada “ao lugar”, a presença, a contemplação, a paisagem, ao espaço, ao território, a geografia, ao desenho da cidade, sua urbanidade, sua humanidade e a relação dos seres (gente, bicho, rio, …) com estas e vice versa. Viagens anuais a Dom Pedrito no interior do estado na infância e adolescência criaram em mim uma    memória gráfica jamais esquecida, assim como a experiencia de presença que se sente no pampa. Com morada fixa na região metropolitana de Porto Alegre, sentindo falta da paisagem (talvez) e seus sentidos a produção se direcionou pra paisagem urbana e suas narrativas, em desenhos, colagens que deram origem a pinturas abstratas, quadrinhos, intervenções urbanas, murais e neste momento num estudo e experimentação com as cores e atmosfera da paisagem do Antropoceno.

Em 2016 minha História em Quadrinhos “Laboratório Monks” foi selecionada pelo edital da Feira Desgrafica / MIS -SP, para ser publicada no quesito quadrinhos experimentais, uma estória absurda sobre absurdos da ocupação humana. Minha produção de HQs é sazonal, mas é uma linguagem que jamais deixarei de experimentar e de produzir, e que se apresenta em ‘Esquina Desencontrada”.

Durante oito anos participei do coletivo de arte e design “Máfia Liquida” que tinha como foco a produção de cartazes lambe-lambes e festas (cartazes para as festas), e também uma grande série de lambes com candidatos políticos fictícios, com vários artistas convidados, além de trabalho gráfico comissionado, murais e afins. Em 2015 o coletivo ganhou uma mostra retrospectiva, seguida de uma festa em parceira com a Feira gráfica Parada Gráfica no Museu do Trabalho em Porto Alegre. No ano seguinte o coletivo teve uma mostra individual inédita na Galeria ECARTA com curadoria de Leo Felipe em POA.

A participação em feiras gráficas foram uma grande escola em que inicialmente comecei participando representando o coletivo, depois como artista solo. Em 2023 fui convidado para fazer parte da Série de colecionáveis (serigrafias de artistas convidados) da Feira Papelera com o desenho “Sobre a Margem”.

Tenho obras em acervos de instituições de arte do estado, seleções em salões de arte (a última em 2023 com o desenho, “Monopaisagem” no Salão da Câmara dos Vereadores de POA) e prêmios em salões de arte, (sendo o primeiro em 2000 com a obra “Outdoor” hoje acervo do MAC/RS) além mostras coletivas e individuais.

No momento cursando graduação em Licenciatura para Artes Visuais.

Portfólio

DEMAIS ARTISTAS

"o olhar crítico e reflexivo da arte diante das catástrofes climáticas"

Iniciativa contemplada no Edital SEDAC/PNAB RS nº 27/2024 - ARTES VISUAIS, que disponibiliza os recursos descentralizados através da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), instituída pela Lei Federal nº 14.399/2022, Decreto Federal nº 11.740/2023, D Instrução Normativa MinC nº 10, de 28 de dezembro de 2023, Instrução Normativa SEDAC nº 04/2024 e legislação correlata.

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